Progresso inconsciente é retrocesso progressivo

Vivemos numa época incrível. Hoje, conseguimos fixar tudo aquilo que capta o nosso interesse: lugares, experiências, pessoas… Enfim. Tudo pode ser facilmente fotografado, gravado e filmado através de um único dispositivo de bolso. Além disto, é possível partilhar o que se viu, sentiu ou pensou com pessoas que estão do outro lado do mundo.

Inaccessible Universe by André Farinha on 500px.com
Inaccessible Universe by André Farinha

O tempo, a experimentação e a melhoria continua levam inevitavelmente ao progresso. Este, que muitas vezes envergonha as formas de pensar, técnicas e ferramentas que o precederam, faz-nos esquecer propositadamente do passado. Demasiadas vezes, em nome do “moderno”, “avançado” e “atual” desvalorizamos o que esteve na sua origem.

Desde a sua origem que os equipamentos (multi)média se distinguiram pela possibilidade de fixar no tempo aquilo que antes era efémero. Depois do seu aparecimento, uma narração, uma música, um pensamento ou um qualquer aparato em movimento poderia ser repetidamente apreciado. Talvez, sem uma noção explícita, começou a ser possível fixar aquilo que fazia parte das vivências de uma outra forma.

Geralmente dispendiosos e de difícil manuseamento, as máquinas fotográficas, gravadores e máquinas de filmar estavam quase exclusivamente destinados às classes mais abastadas. Com o tempo, os equipamentos ganharam relevância, foram continuamente aperfeiçoados e tornaram-se cada vez mais acessíveis.

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Hoje, a evolução acelerada dos equipamentos digitais e a sede por uma internet cada vez mais omnipresente, levam a que a fronteira entre a realidade e a virtualidade seja cada vez mais ténue. Não nos devemos esquecer do passado ou deixar que as suas marcas desapareçam em nome do progresso. Com os equipamentos de que dispomos atualmente, é imperdoável que, pelo menos, não gravemos ou filmemos as manifestações identitárias que nos rodeiam. O progresso nunca deverá ser um motivo para se esquecer uma qualquer manifestação popular. Pelo contrário, o progresso deve acatar a responsabilidade de não deixar o passado cair no esquecimento.

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