Os meus pêsames.

Biscoitos - Azores by Eduardo Marques on 500px.com
by Eduardo Marques

O povo diz que “a esperança é a última a morrer”, numa vã tentativa de enveredar algum alento nas lutas difíceis. Contudo, no que toca à gestão do turismo na Terceira, ela não resistiu a tanta negligência e acabou por falecer.

“A dôr é tão necessaria ás modificações sucessivas da Natureza como ao progresso e desenvolvimento humano. Ela é condição imposta á vida e elemento imprescindível da arte; ela é a base inevitavel da evolução social.”
por Gervásio Lima, 1929.

O POTRAA (Plano de Ornamento Turístico da Região Autónoma dos Açores) caducou e o governo insular está a realizar a sua [imperativa] atualização de forma faseada. Este processo conta com uma equipa multidisciplinar que está, na etapa atual, a visitar todos os concelhos açorianos para ouvir e debater sobre a sua realidade turística, a fim de desenvolver um plano exequível. Além de ser uma demonstração clara do sentido democrático da autonomia, é uma atitude humilde , que revela que o executivo está verdadeiramente interessado no desenvolvimento de uma estratégia de ordenamento turístico apropriado à nossa realidade.

Nesta sessão aberta ao público, onde se poderia debater a realidade atual da ilha face ao turismo e defender um melhor posicionamento no seu futuro, estavam presentes meia dúzia de gatos pingados, uns com objetivos ocultos e outros com cara de frete. Prezo a abertura da comissão que ouviu, com igual atenção e ânimo, todos os que quiseram falar. Condeno a atitude desprevenida dos gatos, pois entre palpites e distorções da realidade, os felinos (maioritariamente ligados às atividades náuticas) dedicaram-se ao debate de problemas internos do seu gatil (localizado na Marina, junto ao Cais d’Angra) e a pedinchar por coisas que qualquer empresa privada tem a obrigação de considerar (por exemplo, a promoção do produto e a garantia da qualidade do serviço prestado). A postura da Câmara do Comércio demonstrou a madrasta má que é, pois foi a primeira a intervir, num discurso fantasioso que visou representar todos os presentes e ausentes, tentando afastar qualquer outro contributo para a discussão.

Depois deste encontro fatídico, a esperança quanto à possibilidade de virmos a ter uma gestão turística inteligente morreu. E agora? É fácil. Vamos continuar como até aqui fizemos: reconhecemos que há um problema mas depois vê-se o que se vai fazer, porque agora é hora de ir para os toiros.

Esperança? Paz à sua alma.

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