A criação do bicho papão açoriano

Ponta Delgada by João Moniz on 500px.com
Ponta Delgada by João Moniz 

Estive presente na BTL 2017, onde o arquipélago dos Açores estive representado como uma região a visitar.

Se é verdade que a criação da Marca Açores veio impulsionar as ilhas enquanto destino turístico, utilizando esta aposta como um motor para a economia, tornam-se cada vez mais visível que esta desrespeita a singularidade das ilhas. Ou seja, projetar o arquipélago como um todo é negar a individualidade de cada ínsula. No fundo, a Marca transmite uma falsa realidade.

Além disto, o egoísmo micaelense, que continua a julgar-se um espelho de todo o arquipélago, faz com que as outras ilhas fiquem à sombra, sem brilho e vítimas de mitos. Passo a um exemplo prático: numa conversa informal, dois continentais demonstraram-se bastante interessados em visitar os Açores, contudo apenas podiam fazê-lo em maio. Devido ao facto de, em São Miguel, decorrerem as festas de Santo Cristo dos Milagres, eles tinham a informação de que os preços praticados no arquipélago eram mais elevados e, por isso, não iriam realizar a viagem. Blasfémia! Tendo em conta que nas outras oito ilhas a vida decorre com normalidade.

Este exemplo revela que a Marca Açores cometeu um erro estratégico grave que negligencia todas as ilhas e compromete a sua própria visão: “vender” o destino Açores como um todo é negar a insularidade que é responsável pelas nossas vivências únicas, ricas e bem preservadas.

Perante este cenário, só imagino duas soluções: ou as ilhas começam a atuar por conta própria (como é o caso das Ilhas do Triângulo) ou, no futuro, iremos tornarmo-nos numa mixórdia de coisas sem alma alguma.

É tempo de refletir e perceber o que realmente interessa e faz sentido.