Esta é, a vez primeira. A vez primeira: que neste auditório canto.

Nasci numa ilha em pleno oceano atlântico que, com outras oito, forma o arquipélago dos Açores. Todos os dias, há diferentes tons de azul e verde que me enchem os olhos. Apenas o basalto negro permanece igual, lembrando a origem vulcânica destas ínsulas.

Tendo em conta que estão distribuídas ao longo de 600km, designá-las num todo como arquipélago é relativamente recente.

Então, o que há de interesse num local tão remoto? Esta é a questão de partida. Seria mais correto definir cada ilha como um arquipélago per si, do que num conjunto. Nos Açores, cada ilha é um arquipélago.

A posição do conjunto insular no atlântico tornou-se fundamental nos trajectos marítimos dos séculos XV a XVIII, permitindo o interesse e fixação de gentes. As condições atmosféricas e solo rico levaram ao desenvolvimento de indústrias agrícolas e pecuárias produtivas. Contudo, estas ilhas não se deixam domar facilmente e lembram constantemente que são filhos da natureza: erupções vulcânicas, terramotos e tempestades são as mais temíveis demonstrações da soberania destas ilhas.

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Todos estes factores influenciaram as gentes que se fixaram e prosperaram nestas terras de basalto negro, desenvolvendo assim uma identidade açoriana, fruto do isolamento e circunstância insular.

O tempo e o isolamento poderiam ser os causadores da sua morte, mas são estes que [também] mantêm a identidade que ainda hoje se manifesta de forma intensa através de oralidades, tradições e vivências.

Basalto Salgado é um blogue que materializa reflexões sobre a insularidade açoriana: o seu imaginário, identidade e vivência. Estes pensamentos, mais ou menos profundos, não se preocupam com atributos científicos porque são fruto de uma figura simultaneamente passiva e ativa que observa, toca, prova, ouve e sente a insularidade açoriana.

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