Angra está diferente… Ou igual?

Hoje estive no meu café favorito por um bom bocado. Decidi ir até à cidade angrense para, a toque de doces maravilhosos, colocar o trabalho em dia.

Durante a tarde ouvi portugueses (continentais), espanhóis, americanos e até alemães. Atrevo-me a dizer que por lá passaram mais estrangeiros do que locais. É, inquestionavelmente, resultado das novas políticas aplicadas ao turismo nos Açores e, sem dúvida, um fruto dos voos charter que têm cumprimentado a ilha semanalmente.

Azores Golden Hour by Eduardo Marques on 500px.com

Azores Golden Hour by Eduardo Marques

Angra é uma cidade diferente daquela que existia a apenas alguns meses. Está ligeiramente mais movimentada, sobretudo por turistas. Está a ganhar uma vida diferente daquela que tinha. Resta questionar: ainda é a Angra que conhecemos?

Sendo romântico (e tão patético quanto qualquer apaixonado), gosto de pensar que esta “nova” identidade de Angra, não é assim tão nova. Se conhecermos um pouco da sua história, sabemos que esta cidade foi ponto de passagem e de paragem de muitas pessoas, ideias e culturas. Aliás, estas mesmas gentes fizeram parte da forja que nos tornou únicos.

Será que a atual vida de Angra (visitada por indivíduos de outras partes) não é mais do que um regresso ao passado e à vivência que agitou esta cidade durante séculos? Talvez estejamos a reavivar a Angra astuta, arisca, bela e irreverente que já existiu.

Talvez esteja a iludir-me, mas gosto de pensar assim.

Vivenciar a Cidade sem exageros

A minha deslocação recente ao Porto fez-me reflectir sobre o conceito de cidade. Para mim, uma urbe é muito mais do que ruas e edifícios. Uma cidade é um sistema aberto composto por diferentes elementos que se relacionam entre si. É a mistura de interações entre pessoas, ruas, edifícios, serviços, cultura, entre muitas coisas, mais ou menos complexas, mais ou menos humanas. Assim, quando visito uma cidade, mais do que apreciar a sua arquitetura, quero contemplar e envolver-me na sua vivência. Entenda-se vivência como o dia-a-dia das gentes que vivem/trabalham/revêem-se na cidade.

“Cidade: Meio geográfico e social caracterizado por uma forte concentraçãopopulacional que cria uma rede orgânica de troca de serviços (administrativos, comerciais, profissionais, educacionais e culturais).”
Dicionário Português

Ora, ao visitar o Porto, fiquei com a sensação que só consegui contemplar a sua parte arquitetónica, pois a vivência da cidade estava camuflada por uma maré gigante de turistas. Estes, que vagueavam desgovernadamente pela cidade, fotografando cada pedacinho de estátua, igreja ou rua.

Está observação fez-me levantar uma questão: será que esta mancha turística deve ser vista como uma espécie de “à parte” da vida da cidade ou deve ser aceite como a nova realidade da vivência da cidade?

Coloquei esta questão a uma amiga portuense que me indicou que existem grandes diferenças entre o Porto antes do turismo e o Porto depois do turismo. Ela começou por falar na nova vida: certas partes desta cidade, outrora entregues à criminalidade, estão agora alegremente movimentadas e seguras. Muitos dos edifícios que estavam devultos estão a ser recuperados, muitas das lonas que estavam fechadas estão a ser reabertas.

Na perspetiva da minha amiga nota-se, portanto, consequências positivas face à introdução do turismo na cidade. Contudo, no extremo oposto, fala num “exagero de turistas”. Ou seja, o balanço entre visitantes e locais é desproporcional.

Na nossa conversa notei que ela via os turistas como pessoas à parte da cidade, como uma realidade que pouco interessa à vivência quotidiana.

Fazendo agora a ponte para os Açores: será que o turismo será sempre um “à parte” ou tronar-se-á, efetivamente, na nova realidade açoriana? Tudo aponta para que esta segunda opção vingue. Tal como no Porto, o turismo trará benefícios. Mas tenhamos cuidado e aprendamos com os erros dos outros para não cairmos no “exagero”.

A morte da alma ilhéu

A ilha Terceira (e a cidade de Angra do Heroísmo, consequentemente) necessita de se distinguir das restantes ilhas e centros urbanos regionais, no que diz respeito à oferta turística que dispõe. Num post anterior, já tinha defendido que, se há algo que distingue a ilha de Jesus Cristo das restantes, é a sua cultura e história ricas e únicas, no contexto regional, nacional e mesmo internacional.

Se olharmos para o turismo como uma fonte de rendimento, também devemos olhá-lo como uma forma de desenvolvimento (sim, desenvolvimento e rendimento são tópicos bem distintos). Neste sentido, e tendo em conta o que foi descrito no primeiro parágrafo, é expectável e desejável que a ilha Terceira tire partido da sua história e cultura para gerar rendimento e desenvolvimento.

Touch by André Fagundes on 500px.com
Touch by André Fagundes

É fácil, do ponto de vista material, usufruir da nossa história para tirar proveito do turismo. Por um lado (em linhas gerais), basta identificar, valorizar e preservar o património natural e edificado; e, por outro, estudar o que foi (e ainda é) escrito sobre a Terceira – felizmente, a nossa ilha conta com um vasto acervo de documentos de grande qualidade sobre a sua história. Neste sentido,usufruir do património para gerar rendimento na área do turismo é algo relativamente fácil (pelo menos do ponto de vista das empresas de animação turística). Contudo, não nos esqueçamos de apostar continuamente no desenvolvimento, quer da história per si, quer nos métodos de a transmitir.

Azorean green fields. by Rui Caria on 500px.com
Azorean green fields by Rui Caria

Se nalguns aspectos, a história e cultura terceirenses devem ser vistas como um todo, fico reticente no que toca às formas de usufruto destas para gerar rendimento. De vez em quando, aparece um grupo de folclore aqui ou ali a atuar, ora porque atracou um cruzeiro no porto, ora porque há um charter qualquer que chegou ao Aeródromo das Lajes. Se perguntarem por aí, vão perceber que existem muitas pessoas locais que não ligam a este tipo de intervenções. Naturalmente, refuta-se a ideia defendendo que estas atividades estão direcionadas para os turistas e não para os ilhéus – ao que tudo indica, o objetivo é mesmo demonstrar aos visitantes o que por aqui se pratica. Contudo, se pensarmos bem, a genuinidade destes actos é praticamente nula. Repare-se que as atuações dos grupos de folclore acontecem sobretudo nas festas de freguesia durante o verão, onde a comunidade local se reúne em torno do palco improvisado e da iluminação escassa; onde a tasca se enche de gente bem disposta e o padre da freguesia conta uma anedota tão picante quanto a do lavrador. Neste sentido, a atuação de um grupo folclore por si só não vale grande coisa. Esta manifestação cultural faz parte de um contexto (i.e. têm um tempo e espaço específicos) que a torna realmente nossa, autêntica e  verdadeiramente terceirense. Do mesmo modo que devemos promover uma História de qualidade aos nossos turistas, devemos também demonstrar/partilhar uma cultura autêntica – porque esta é viva e faz parte do presente e diferencia-se da história por não estar retida no passado. Já que temos cultura verdadeira, não demonstremos versões “turísticas” em tardes ventosas de outono numa rua citadina, onde ninguém se conhece.

Infelizmente, muitas discussões se resumem a dinheiro e, neste caso, à viabilidade da cultura terceirense enquanto geradora de receita. Haverá quem defenda que mais vale realizar umas 15 ou 20 versões “turísticas” da nossa cultura para gerar rendimento ao longo dos 365 dias do ano, do que aguardar pelo Carnaval, por exemplo, que acontece em 3 ou 4 apenas, para “vender” cultura autêntica.

E é exactamente aqui que surge uma questão perigosa: se aparentemente não é possível tirar partido da cultura terceirense para gerar rendimento no turismo, será este ramo verdadeiramente apropriado para o desenvolvimento da ilha?

Assim fica a descoberto o meu maior receio: tenho medo que a pressão para gerar rendimento através do turismo esmague a nossa cultura, património (natural e edificado), identidade e valores. Sejamos prudentes, não deixemos que a ganância e o dinheiro fácil nos transformem em gente sem alma.

Angra: cultura natural ou natureza cultural?

Acompanhando a tendência actual para apostar na promoção turística do arquipélago açoriano, solicitaram-me que desenhasse um banner publicitário para a cidade de Angra do Heroísmo. Dado o espaço reduzido para trabalhar, tive de me centrar no básico, definindo Angra da forma mais sucinta e atractiva possível. Esta conjuntura levou-me naturalmente a recorrer ao uso de algumas imagens e uma tagline.

Foi fácil seleccionar fotografias de Angra, bastou recorrer aos clássicos: a vista sobre a cidade a partir do Alto da Memória, uma vista mais abrangente que demonstrasse a posição da cidade entre o mar e o verde dos campos (a Serra da Nasce-Água é excepcional para este efeito) e uma foto do casario colorido da cidade.

Ora, bem mais complexo, foi criar uma tagline que resumisse Angra. Necessariamente, tinha de se tratar de uma frase que a diferencia-se no mercado dos destinos turísticos quer internacionais, quer regionais. Contudo, não poderia criar especulativas para um lugar que nada tem a ver com Angra.

Mais que a materialidade das coisas Angra precisa de novas formas de ser olhada, com carinho e com respeito pelo enorme valor que é.
Angra tem a enorme vantagem de dispor de duas janelas escancaradas: a materialidade e a imaterialidade, conjugadas no seu recurso cultural colectivo, que é património comum da humanidade.”
Por Francisco Maduro-Dias

A Direção Regional da Cultura (DRC) está a desenvolver um Plano de Gestão para a Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo, i.e. um ponto de chegada e, simultaneamente, de partida para aquilo que poderá ser um futuro promissor e sustentável para a cidade Património Mundial. Paralelamente ao desenvolvimento deste documento, a DRC tem promovido uma série de conferências divididas em três temas, nomeadamente, “História e Herança”, “Tecnologia, Valorização e Desenvolvimento” e “Cidade Vivida”. Cada capítulo conta com quatro palestrantes (ao todo são doze) de áreas variadas e de interesse para o assunto em questão. Numa das discussões, referiu-se algo basilar sobre Angra: a cidade, tal como a conhecemos hoje, é fruto de gente com uma cultura (do sul da Europa, nomeadamente) que usufruiu da natureza (uma estrutura natural que protegia os navios das adversidades – i.e. uma angra – e uma ribeira capaz de sustentar a vida naquele vale – Ribeira dos Moinhos) e que, consequentemente, gerou uma civilização cultural.

A isto, soma-se a “sorte” de Angra estar no sítio certo para acolher os navios que atravessaram os mares em rotas marítimas que davam, literalmente, a volta ao mundo.

“A cidade de Angra do Heroísmo, Património Mundial da Humanidade, assumiu, desde os primeiros anos da sua história um papel predominante. Inicialmente, reconhecida como um ponto geoestratégico no meio do Atlântico Norte, posteriormente, como um interposto logístico de navegação, a sua posição foi, e é ainda, consensual, no que concerne à ligação entre os vários continentes. “Intensamente portuguesa e, todavia portuguesa de além-mar, Angra deve ver-se com os olhos de quem vê projeção ibérica fora da Península”
Elevação de Angra a Património da Humanidade, O Processo

Fomos procurados e valorizados no passado devido [sobretudo] à nossa posição estratégica no Atlântico e pela hipótese de reabastecer navios nas rotas comerciais. Por aqui passaram muitas pessoas, culturas e formas de pensar. O título de Património Mundial (pelo critério 4º e 6º) atribuído pela UNESCO, é um selo que garante que nós, ainda hoje, muito mais do que um símbolo, somos uma prova viva e bem preservada desse movimento no Atlântico.

Angra do Heroísmo - Ilha Terceira - Azores  - Cais da Alfândega
by Marco Monteiro

Por isto tudo e muitas outras coisas, decidi que a tagline deveria ser: Angra do Heroísmo, Capital Cultural do Atlântico | Património Mundial. Soberba ou arrogante, esta frase resume a mais pura das verdades. Saibamos, pois, ostentar com gozo a pojança que este título exige. Não nos desviemos da verdade, não inventemos aquilo que não somos, pois somos isto e saibamos tirar partido disto mesmo.

Rememos todos para o mesmo lado

Nos últimos meses, os Açores têm elevado a sua notoriedade no mundo. Os esforços recentes na promoção turística da região, têm levado a que estas ínsulas andem nas bocas do mundo. Elogiadas pelo contato com a natureza pura e por atividades de animação turísticas sustentáveis, o arquipélago tem se afirmado como um local de visita obrigatória para os amantes de manchas verdes.

Com um buzz tão alargado, é natural que cada vez mais pessoas venham à região. Contudo, devido à sua dispersão, [ainda] condicionada mobilidade inter-ilhas, diferentes níveis de desenvolvimento e diversificadas realidades, cada ilha tem feito o seu melhor para se distinguir das restantes a fim de se tornar numa paragem obrigatória.

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Sete Cidades by João Moniz

A estratégia promocional adotada tem “vendido” um arquipélago “certificado pela natureza” – é este o mote da marca Açores. Indiscutivelmente, é de todo o interesse que se venda o conjunto como um todo (mesmo que contenha nove ilhas dispersas ao longo de 600km). As paisagens de São Miguel e do Triângulo (i.e. São Jorge, Pico e Faial) assentam como uma luva nesta tagline. Contudo, outras ilhas, por mais que tentem, dificilmente vingaram neste sector. Umas delas é a Terceira.

Calma! Todos sabemos que a ilha de Jesus Cristo tem paisagens bonitas: Caldeira Guilherme Moniz, Serra do Cume, Serra de Santa Bárbara, etc. Contudo, do ponto de vista de um turista, estão muito aquém da Lagoa das Sete Cidades, da Paisagem Protegida da Vinha do Pico, das Fajãs de São Jorge ou mesmo do Vulcão dos Capelinhos – verdade seja dita. Nesta perspetiva, ao definir-mo-nos como um destino de natureza no mercado açoriano, seria um convite aberto ao título da ilha “naturalmente menos bonita”. Isto não significa que devemos deixar de ter atividades de animação turística relacionadas com a natureza – não é isto que se defende neste post. Pelo contrário, temos sido elogiados por termos experiências naturais mais “selvagens” (i.e. naturais) do que outras ilhas, mas isto não determina que temos necessariamente as paisagens mais bonitas nem que os turistas apenas procuram tal. Descrito este ponto, entende-se que a Terceira tem de se diferenciar daquilo que há, ou seja, deve “oferecer” algo que as outras ilhas não têm. E se pensarmos numa perspectiva histórica e cultural, temos muito mais que elas todas juntas, literalmente. Ser capital de Portugal duas vezes, ser sede da Diocese Açoriana, ter acolhido a Capitania Geral do Açores, ter sido porto de abrigo de naus e caravelas de todo o mundo, ser berço do Liberalismo, ter Bailinhos de Carnaval, Touradas à Corda, entre outros, não são “coisas” que outras ilhas possam contar sobre os seus 500 anos de história. E é aqui que a Terceira tem de se centrar. Esta deve ser a marca a ostentar pela ilha.

Perceber como nos devemos diferenciar no mercado regional é apenas o primeiro passo. Trabalhar cultura tem contornos bem mais complexos do que tratar natureza. Enquanto que esta está à vista e pode ser rapidamente explicada, uma compreensão total da cultura e da história dependem da interpretação de dados ou vestígios do passado que estão, mais ou menos, bem preservados e presentes na atualidade. Se a Terceira aceitar a posição que defendi acima, a batalha seguinte será materializar/traduzir em produtos turísticos essa mesma cultura e história, para que os visitantes da ilha possam, de facto, entendê-la como um local de cultura e história.

Esta etapa exige um enorme esforço e coordenação de todas as entidades envolvidas neste assunto (desde as instituições públicas, passando pelas empresas do sector e associações governamentais, até à população em geral) para que seja possível, finalmente, tirar partido do turismo na ilha. Posto isto, segue-se a questão desconfortável: quem é que deve estar na dianteira desta coordenação? Ou seja, quem é que tem (ou devia ter) a competência legalmente atribuída para estar “nos galhos do toiro”?

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Photo by Rui Caria

Esta pergunta não pretende desvalorizar ou desencorajar os esforços que têm sido feitos (e têm sido muitos), mas sim apelar a que todas as pessoas e instituições se unem para que “rememos todos para o mesmo lado”. Esta tem sido a maior lição de todas as adversidades naturais, políticas e sociais que têm atingido a nossa ilha, e que caracteriza tão bem a nossa identidade – saibamos, pois, pensar e atuar em conjunto para que voltemos a ser “a capital do coração do atlântico”.

Progresso inconsciente é retrocesso progressivo

Vivemos numa época incrível. Hoje, conseguimos fixar tudo aquilo que capta o nosso interesse: lugares, experiências, pessoas… Enfim. Tudo pode ser facilmente fotografado, gravado e filmado através de um único dispositivo de bolso. Além disto, é possível partilhar o que se viu, sentiu ou pensou com pessoas que estão do outro lado do mundo.

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Inaccessible Universe by André Farinha

O tempo, a experimentação e a melhoria continua levam inevitavelmente ao progresso. Este, que muitas vezes envergonha as formas de pensar, técnicas e ferramentas que o precederam, faz-nos esquecer propositadamente do passado. Demasiadas vezes, em nome do “moderno”, “avançado” e “atual” desvalorizamos o que esteve na sua origem.

Desde a sua origem que os equipamentos (multi)média se distinguiram pela possibilidade de fixar no tempo aquilo que antes era efémero. Depois do seu aparecimento, uma narração, uma música, um pensamento ou um qualquer aparato em movimento poderia ser repetidamente apreciado. Talvez, sem uma noção explícita, começou a ser possível fixar aquilo que fazia parte das vivências de uma outra forma.

Geralmente dispendiosos e de difícil manuseamento, as máquinas fotográficas, gravadores e máquinas de filmar estavam quase exclusivamente destinados às classes mais abastadas. Com o tempo, os equipamentos ganharam relevância, foram continuamente aperfeiçoados e tornaram-se cada vez mais acessíveis.

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Hoje, a evolução acelerada dos equipamentos digitais e a sede por uma internet cada vez mais omnipresente, levam a que a fronteira entre a realidade e a virtualidade seja cada vez mais ténue. Não nos devemos esquecer do passado ou deixar que as suas marcas desapareçam em nome do progresso. Com os equipamentos de que dispomos atualmente, é imperdoável que, pelo menos, não gravemos ou filmemos as manifestações identitárias que nos rodeiam. O progresso nunca deverá ser um motivo para se esquecer uma qualquer manifestação popular. Pelo contrário, o progresso deve acatar a responsabilidade de não deixar o passado cair no esquecimento.