O verão açoriano é feito de tudo um pouco…

O verão açoriano tem um tanto de belo, religioso, profano, exagero, simplicidade, encanto e estranheza.

Antes do calor chegar, já o estalar de cascos bovinos no asfalto e de foguetes no ar anunciam aquilo que é o verão na ilha Terceira. A cerveja na mão, o riso no rosto e o olho a fitar o toiro para evitar um “Ai ai ai!” em sobressalto conjunto, definem a maioria das tardes terceirenses. Aos mais corajosos, está entregue a tarefa de manusear a capa encarnada para desassossegar a bravura dos toiros.

O verão açoriano ajuda a limpar o pó ao Santo António, a São João, às Nossas Senhoras da Conceição, da Ajuda, da Agonia, da Penha de França, dos Milagres, da Boa Viagem… Enfim, a todos aqueles e aquelas que vão em procissão dar uma volta às suas freguesias, servindo de mote para as festinhas e grandiosas festas dos lugarinhos e terreiros das freguesias desta ilha.

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Bravery por André Fagundes

O verão açoriano faz as cidades encherem-se de festa própria com luzes, desfiles e concertos que atraem residentes, emigrantes e forasteiros. Ao som da cantiga ao improviso, do fado, do pimba ou de um qualquer DJ, amores tornam-se em dissabores e namoricos em coisas sérias.

As noites de verão terceirenses são passadas num terreiro, de uma qualquer freguesia, iluminada e com um palco, ao qual sobem as bandas do costume, salve um ou outro artista do continente que as comissões mais arrojadas conseguiram pagar.

Ao sabor de tremoço, cerveja ou sangria (conforme o gosto de cada um), democratizam-se conversas animadas, ora sobre os problemas do dia-a-dia, ora sobre mexericos. Num ambiente de festa, fala-se de futebol, política, sociedade e de tudo o resto.

Mas existem pessoas que preferem ir só até à cidade mais próxima, teoricamente para tomar café com os amigos, quando, na verdade, acabam todos por beber cerveja na esplanada do costume. De quando em vez, também são surpreendidos com a atuação de uma qualquer banda constituída por amigos que às vezes vão para as esplanadas e outras vezes para os terreiros.

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Launching Site por Eduardo Marques

O verão açoriano é feito de churrascos no mato, à sombra de grandes árvores que acalmam o calor e que dão lugar às grandes jogadas de cartas, dominó e marralhinha. É a calmaria das criptomérias que dá o mote às canções de quem levou um violão e inspira os temperos de quem vira o frango sobre a brasa.

Enquanto o milho cresce nos cerrados, pescadores e outros entusiastas armam-se em punho com a pequena navalha com que apanham as lapas, cracas e caracóis, saboreados em todos os cantos e recantos da ilha.

Mais certo do que o pão do bodo, é banhar-se no mar em dias de sol, não vá o tempo virar no dia seguinte. É queimar a pele para ficar moreno e apanhar uma “vardascada” de água-viva. Ah! E depois colocar vinagre ou xixi em cima para aliviar a dor (embora sejam remédios cuja eficácia ainda deixe alguns turistas reticentes).

Existem também aqueles que, no verão, dão um salto a outra ilha para fazer estas mesmas coisas, mas ao som de um outro sotaque.

E lá para os fins de agosto e os inícios de setembro, aparece um ou outro furação, tempestade tropical ou chuva intensa que tentam anunciar o fim do verão, embora seja o dia 15 de outubro, já num outono maduro, que se fecha definitivamente. Os Açores devem ser dos poucos sítios do mundo onde a primavera e o outono se fundem no verão e este tem data de início e de fim, independentemente das circunstâncias.

Há quem pense que o verão açoriano é palco de convívio, harmonia e festa porque o resto do ano é demasiado chuvoso, ventoso, friorento ou desajeitado para tudo isto. Nestes pedacinhos de basalto salgado pelo mar, assombrados por vulcões, terramotos e tempestades, percebemos, faz muito tempo, que o melhor que temos é o convívio uns com os outros. Por isso, é bom vivenciar todas estas coisas (e outras tantas que não foram aqui mencionadas) enquanto a severidade da natureza está de férias.

O presente do Carnaval da Terceira

Não consigo deixar de ficar emocionado quando ouço e vejo as primeiras danças e bailinhos de Carnaval a cada ano. Fico infinitamente maravilhado com a circunstância: homens e mulheres do dia-a-dia que, durante noites a fio, preparam músicas e representações teatrais sobre as mais variadas temáticas, para exibi-las a troco de alegria, boa disposição e pura tradição.

Os festejos carnavalescos remontam à época medieval. Esta celebração, que tem lugar entre o bom tempo da primavera e a escuridão do inverno, pretendia expulsar os demónios que o homem foi criando e acumulando durante o frio invernoso. Era necessário, a toque de música, exaltação e festa rija, expelir as trevas e preparar as comunidades para as colheitas e abundâncias da primavera.

2-carnavalFotografia de António Araújo

Desde os desfiles brasileiros ao som do samba até aos caretos de trás-os-montes,  o Carnaval é celebrado em inúmeras comunidades ao longo do planeta, com maior ou menor exuberância, sentido religioso ou festivo.

Esta manifestação cultural também tem lugar no arquipélago dos Açores, com principal destaque para a Terceira. Apesar de acontecer nos limitados quatrocentos quilómetros quadrados da ínsula, é largamente reconhecido como a maior manifestação de teatro popular de língua portuguesa em todo o mundo. O impacto do Carnaval na comunidade é tão alargado que o Governo Regional permite a realização de tolerâncias de ponto enaltecendo “a participação voluntariosa de milhares de cidadãos nas suas mais variadas vertentes: dramatúrgica, performativa, musical e logística”.

“(…) é um fenómeno cultural com um conjunto de características que o torna único. É um fenómeno que, uma vez por ano, durante quatro dias e quatro noites, transforma a nossa ilha numa plateia de trinta e cinco ou quarenta mil pessoas que naqueles dias comem e dormem à pressa para poderem assistir ao maior número possível de danças e bailinhos.”
por Hélio Costa

A alegria e amizade cozinhada e manifestada no carnaval terceirense atrai sucessivamente a participação de muitas pessoas. Popularmente reconhecido como o “bichinho”, o carnaval agarra emotivamente todos os seus participantes e admiradores.

No trabalho preparado pelos vários grupos, contam-se histórias do dia-a-dia saturadas de crítica social. O Carnaval terceirense, mais do que uma oportunidade, é um manifestação clara da opinião pública sobre os mais variados assuntos: política, sociedade, desporto, saúde, educação, etc. Tudo isto, cuidadosamente tecido em rimas e personagens tão bem trabalhadas quanto a experiência e o “jeito” (i.e. talento) permitir.

“(…) o Carnaval da Terceira é uma Mesa posta a toda a gente, incluindo quem nos visita. Onde todos podem saborear de forma gratuita, muita Harmonia, Amizade, Alegria, Criatividade, Música, Poesia e Fulgores. O Carnaval da Ilha Terceira é um Vulcão Cultural como no Mundo não há igual.”
por Hélio Costa

José Nelson Coderniz, numa crónica divulgada em fevereiro no Diário Insular, descreve de forma inteligentemente prática e sucinta o surgimento desde género teatral.

Foi a burguesia italiana do séc. XVII que começou por construir os primeiros teatros públicos. Com o objetivo de ter acesso à ópera (género que antes estava exclusivamente disponível para a nobreza), esta camada social apresentava temas sobretudo de teor mitológico que gradualmente, até ao séc. XIX, foram substituídos por temas do quotidiano. Este tipo de teatro era exibido em quatro momentos do ano, alcançando o seu expoente máximo no Carnaval (época em que as pessoas tinham maior propensão para o convívio noturno em lugares quentes e iluminados).

“Segundo uma perspetiva inglesa, podemos caracterizar os géneros artísticos, do Carnaval terceirense, quase como semi-óperas.”
Por José Nelson Coderniz

Na Terceira, e até aos anos 70 de novecentos, existiam apenas as Danças de Pandeiro (também conhecidas pelas Danças da Noite) e a Dança de Espada (ou Danças de Dia). A partir de 1980, os espaços de exibição sofreram alterações e os conceitos tratados nas danças alteraram-se.

“A Dança de Pandeiro definia-se, essencialmente, pela existência de duas alas de dançarinos, com cerca de 6 elementos por ala, uma composta por músicos e a outra pelos atores, sendo a figura central, o mestre, que além de cantar, devia usar mestria no manuseio do pandeiro. (…) Existia também, uma personagem típica, o ratão, que tinha a função de contraponto jocoso no contexto teatral. Por regra, este género performativo, cómico, só atuava de noite (…) em casas ou espaços particulares, normalmente dos participantes, e só assistia quem fosse convidado.”
Por José Nelson Coderniz

“A Dança de Espada caracterizava-se pela temática dramática, com assuntos históricos/religiosos que foram sendo gradualmente trocados por outros associados ao quotidiano. Composta por duas alas de dançarinos, a ação era dirigida por um mestre munido de uma espada. Atuava de dia, (…) tinha como espaços de atuação os terreiros e as zonas em frente às casas dos principais intervenientes.”
Por José Nelson Coderniz

Dadas as limitações de locomoção da época, os grupos apenas exibiam as suas peças na sua freguesias e nas vizinhas. Normalmente, só participavam homens e era comum estes vestirem-se de mulher para interpretar algum papel.

Com a construção de salões (i.e. pequenos teatros) pelas freguesias (e consequente melhoria das condições de visualização e audição), assim como o avanço nos meios de transportes, os grupos deixaram os pátios e ruas e começaram a atuar por toda a ilha.

Sendo uma manifestação totalmente organizada pelo povo e um organismo vivo que retrata a sua identidade, o Carnaval têm sofrido alterações mais ou menos naturais ao longo dos últimos 35 aos.

“Com a emancipação da mulher no Carnaval terceirense; a criação de escolas de ensino de guitarra/acordeão/bandolim e uma vontade generalizada dos músicos das bandas filarmónicas em participar no Carnaval,o número de grupos aumentou, havendo ainda uma transposição dos parâmetros que definiam tais géneros: o número de músicos ultrapassou os antigos cânones, obrigando a deslocação dos atores para fora das alas e surgiu outro género cómico, o Bailinho.”
Por José Nelson Coderniz

Contudo, nos últimos anos, e numa prespetiva pessoal, apesar do número de danças e bailinhos terem aumentado, o mesmo não tem acontecido com a qualidade. Cada vez mais, a vontade de participar na manifestação se sobrepõe à qualidade performativa. Tem havido uma tendência para a perda da rima e da história consistente. Aparentemente, os grupos têm-se protegido da falta de talento na concepção de histórias e músicas, recorrendo às “piadas da internet” e “arranjos do grupo” (baseados na adaptação de canções existentes). Não deixo de ficar frustrado, quando vejo que uma dança distorce o rumo da sua narrativa apenas para “colar à força” uma anedota com graça, mas descontextualizada. Tenho pena que muitos grupos estejam a seguir este rumo pois, no mínimo, retrata falta de genuinidade. Será que este é o preço do progresso?

 

A morte da alma ilhéu

A ilha Terceira (e a cidade de Angra do Heroísmo, consequentemente) necessita de se distinguir das restantes ilhas e centros urbanos regionais, no que diz respeito à oferta turística que dispõe. Num post anterior, já tinha defendido que, se há algo que distingue a ilha de Jesus Cristo das restantes, é a sua cultura e história ricas e únicas, no contexto regional, nacional e mesmo internacional.

Se olharmos para o turismo como uma fonte de rendimento, também devemos olhá-lo como uma forma de desenvolvimento (sim, desenvolvimento e rendimento são tópicos bem distintos). Neste sentido, e tendo em conta o que foi descrito no primeiro parágrafo, é expectável e desejável que a ilha Terceira tire partido da sua história e cultura para gerar rendimento e desenvolvimento.

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Touch by André Fagundes

É fácil, do ponto de vista material, usufruir da nossa história para tirar proveito do turismo. Por um lado (em linhas gerais), basta identificar, valorizar e preservar o património natural e edificado; e, por outro, estudar o que foi (e ainda é) escrito sobre a Terceira – felizmente, a nossa ilha conta com um vasto acervo de documentos de grande qualidade sobre a sua história. Neste sentido,usufruir do património para gerar rendimento na área do turismo é algo relativamente fácil (pelo menos do ponto de vista das empresas de animação turística). Contudo, não nos esqueçamos de apostar continuamente no desenvolvimento, quer da história per si, quer nos métodos de a transmitir.

Azorean green fields. by Rui Caria on 500px.com
Azorean green fields by Rui Caria

Se nalguns aspectos, a história e cultura terceirenses devem ser vistas como um todo, fico reticente no que toca às formas de usufruto destas para gerar rendimento. De vez em quando, aparece um grupo de folclore aqui ou ali a atuar, ora porque atracou um cruzeiro no porto, ora porque há um charter qualquer que chegou ao Aeródromo das Lajes. Se perguntarem por aí, vão perceber que existem muitas pessoas locais que não ligam a este tipo de intervenções. Naturalmente, refuta-se a ideia defendendo que estas atividades estão direcionadas para os turistas e não para os ilhéus – ao que tudo indica, o objetivo é mesmo demonstrar aos visitantes o que por aqui se pratica. Contudo, se pensarmos bem, a genuinidade destes actos é praticamente nula. Repare-se que as atuações dos grupos de folclore acontecem sobretudo nas festas de freguesia durante o verão, onde a comunidade local se reúne em torno do palco improvisado e da iluminação escassa; onde a tasca se enche de gente bem disposta e o padre da freguesia conta uma anedota tão picante quanto a do lavrador. Neste sentido, a atuação de um grupo folclore por si só não vale grande coisa. Esta manifestação cultural faz parte de um contexto (i.e. têm um tempo e espaço específicos) que a torna realmente nossa, autêntica e  verdadeiramente terceirense. Do mesmo modo que devemos promover uma História de qualidade aos nossos turistas, devemos também demonstrar/partilhar uma cultura autêntica – porque esta é viva e faz parte do presente e diferencia-se da história por não estar retida no passado. Já que temos cultura verdadeira, não demonstremos versões “turísticas” em tardes ventosas de outono numa rua citadina, onde ninguém se conhece.

Infelizmente, muitas discussões se resumem a dinheiro e, neste caso, à viabilidade da cultura terceirense enquanto geradora de receita. Haverá quem defenda que mais vale realizar umas 15 ou 20 versões “turísticas” da nossa cultura para gerar rendimento ao longo dos 365 dias do ano, do que aguardar pelo Carnaval, por exemplo, que acontece em 3 ou 4 apenas, para “vender” cultura autêntica.

E é exactamente aqui que surge uma questão perigosa: se aparentemente não é possível tirar partido da cultura terceirense para gerar rendimento no turismo, será este ramo verdadeiramente apropriado para o desenvolvimento da ilha?

Assim fica a descoberto o meu maior receio: tenho medo que a pressão para gerar rendimento através do turismo esmague a nossa cultura, património (natural e edificado), identidade e valores. Sejamos prudentes, não deixemos que a ganância e o dinheiro fácil nos transformem em gente sem alma.

Rememos todos para o mesmo lado

Nos últimos meses, os Açores têm elevado a sua notoriedade no mundo. Os esforços recentes na promoção turística da região, têm levado a que estas ínsulas andem nas bocas do mundo. Elogiadas pelo contato com a natureza pura e por atividades de animação turísticas sustentáveis, o arquipélago tem se afirmado como um local de visita obrigatória para os amantes de manchas verdes.

Com um buzz tão alargado, é natural que cada vez mais pessoas venham à região. Contudo, devido à sua dispersão, [ainda] condicionada mobilidade inter-ilhas, diferentes níveis de desenvolvimento e diversificadas realidades, cada ilha tem feito o seu melhor para se distinguir das restantes a fim de se tornar numa paragem obrigatória.

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Sete Cidades by João Moniz

A estratégia promocional adotada tem “vendido” um arquipélago “certificado pela natureza” – é este o mote da marca Açores. Indiscutivelmente, é de todo o interesse que se venda o conjunto como um todo (mesmo que contenha nove ilhas dispersas ao longo de 600km). As paisagens de São Miguel e do Triângulo (i.e. São Jorge, Pico e Faial) assentam como uma luva nesta tagline. Contudo, outras ilhas, por mais que tentem, dificilmente vingaram neste sector. Umas delas é a Terceira.

Calma! Todos sabemos que a ilha de Jesus Cristo tem paisagens bonitas: Caldeira Guilherme Moniz, Serra do Cume, Serra de Santa Bárbara, etc. Contudo, do ponto de vista de um turista, estão muito aquém da Lagoa das Sete Cidades, da Paisagem Protegida da Vinha do Pico, das Fajãs de São Jorge ou mesmo do Vulcão dos Capelinhos – verdade seja dita. Nesta perspetiva, ao definir-mo-nos como um destino de natureza no mercado açoriano, seria um convite aberto ao título da ilha “naturalmente menos bonita”. Isto não significa que devemos deixar de ter atividades de animação turística relacionadas com a natureza – não é isto que se defende neste post. Pelo contrário, temos sido elogiados por termos experiências naturais mais “selvagens” (i.e. naturais) do que outras ilhas, mas isto não determina que temos necessariamente as paisagens mais bonitas nem que os turistas apenas procuram tal. Descrito este ponto, entende-se que a Terceira tem de se diferenciar daquilo que há, ou seja, deve “oferecer” algo que as outras ilhas não têm. E se pensarmos numa perspectiva histórica e cultural, temos muito mais que elas todas juntas, literalmente. Ser capital de Portugal duas vezes, ser sede da Diocese Açoriana, ter acolhido a Capitania Geral do Açores, ter sido porto de abrigo de naus e caravelas de todo o mundo, ser berço do Liberalismo, ter Bailinhos de Carnaval, Touradas à Corda, entre outros, não são “coisas” que outras ilhas possam contar sobre os seus 500 anos de história. E é aqui que a Terceira tem de se centrar. Esta deve ser a marca a ostentar pela ilha.

Perceber como nos devemos diferenciar no mercado regional é apenas o primeiro passo. Trabalhar cultura tem contornos bem mais complexos do que tratar natureza. Enquanto que esta está à vista e pode ser rapidamente explicada, uma compreensão total da cultura e da história dependem da interpretação de dados ou vestígios do passado que estão, mais ou menos, bem preservados e presentes na atualidade. Se a Terceira aceitar a posição que defendi acima, a batalha seguinte será materializar/traduzir em produtos turísticos essa mesma cultura e história, para que os visitantes da ilha possam, de facto, entendê-la como um local de cultura e história.

Esta etapa exige um enorme esforço e coordenação de todas as entidades envolvidas neste assunto (desde as instituições públicas, passando pelas empresas do sector e associações governamentais, até à população em geral) para que seja possível, finalmente, tirar partido do turismo na ilha. Posto isto, segue-se a questão desconfortável: quem é que deve estar na dianteira desta coordenação? Ou seja, quem é que tem (ou devia ter) a competência legalmente atribuída para estar “nos galhos do toiro”?

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Photo by Rui Caria

Esta pergunta não pretende desvalorizar ou desencorajar os esforços que têm sido feitos (e têm sido muitos), mas sim apelar a que todas as pessoas e instituições se unem para que “rememos todos para o mesmo lado”. Esta tem sido a maior lição de todas as adversidades naturais, políticas e sociais que têm atingido a nossa ilha, e que caracteriza tão bem a nossa identidade – saibamos, pois, pensar e atuar em conjunto para que voltemos a ser “a capital do coração do atlântico”.